GASE, Fundação Casa e Afroreggae
Na sexta feira do dia 04 de Junho, três integrantes do AfroReggae estiveram no GASE a fim de trocar experiências com menores em conflito com a lei internos na Fundação CASA, em Taubaté.
Foi exibido o documentário Favela Rising, ganhador de mais de 30 prêmios internacionais. Em seguida, Anderson Sá, protagonista do filme e um dos vocalistas da Banda AfroReggae falou sobre mediação de conflitos e empreendedorismo social. O Coordenador de Projetos Especiais, Betho Pacheco, e o assistente técnico social Daniel Elias palestraram sobre a experiência das Oficinas Culturais do AfroReggae no Degase e as ações realizadas no exterior. Encerrando o encontro, Norton Guimarães, Coordenador do Projeto Empregabilidade, falou sobre o trabalho de ponte entre egressos do sistema prisional e empresas que aceitam trabalhadores com esse perfil.
De acordo com Michelle Duarte, pedagoga da instituição e responsável pela iniciativa, a ideia de convidar o AfroReggae nasceu assim que ela teve o primeiro contato com os menores:
- Percebi que os meninos tinham uma visão romântica do crime no Rio de Janeiro. Isso ficou claro assim que comecei aqui, pois eu sou do Rio e eles me enchiam de perguntas sobre bandidos, facções criminosas etc. Resolvi entrar em contato com o AfroReggae, amadurecemos a ideia juntos e, felizmente, consegui que os integrantes viessem até nós – explica a agente educacional. E continua: “O AfroReggae sempre foi um ponto de referência, uma inspiração para o meu idealismo. Num determinado momento, as ações e falas de seus representantes me fizerem crer que eu não estava sozinha nessa insistente mania de mudar o mundo. O fato é que tenho quatro filhos e o meu trabalho é fazer um mundo melhor para eles”, enfatiza Michelle.
A Fundação CASA funciona em um modelo de descentralização. Atende 56 jovens, divididos em UI (Unidade de Internação) e UIP (Unidade de Internação Provisória). O trabalho é realizado em uma matriz, onde os menores permanecem o tempo todo ocupados. Pela manhã, com o ensino formal; à tarde, em oficinas de artesanato, teatro, capoeira, hip hop, horta, jardim, esportes, panificação e tapeçaria. Há também jovens inseridos em cursos externos, por meio de parcerias. Através desse modelo, a reincidência caiu e a recuperação é visível. Parcerias possibilitam aos jovens oportunidades dentro da Fundação e, em alguns casos, estes já saem empregados ou matriculados em um curso de sua preferência.
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DEPOIMENTO DA COORDENACAO DE PROJETOS ESPECIAIS DO AFROREGGAE |
Com essa palavra podemos definir de forma mais precisa o que foi a visita do AfroReggae ao GASE e a Unidade Socioeducativa da Fundação CASA em Taubaté.
Ao mesmo em que procuramos trabalhar com os jovens aspectos específicos da nossa metodologia social, onde mostramos que é possível acreditar no adolescente que vive a situação de conflito com a lei, seja intervindo pela arte, pela cultura ou pelo resgate familiar, levando também a experiência das Oficinas Culturais no DEGASE, executor das medidas socioeducativas do Rio de Janeiro, nossa equipe pôde vivenciar estratégias diferenciadas que ganham forma com a gestão compartilhada experimentada hoje em São Paulo.
Legal ver que a Fundação CASA, através do GASE, consegue implementar novas estratégias de ações com o adolescente privado de liberdade, proporciando momento de tamanha integração como vivenciamos por ocasião de nossa ida a Taubaté.
Poder falar diretamente com os jovens, vê-los sensibilizados para a atividade proposta e motivados para o encontro, por si só já marca essa nova forma de atuação no sistema socioeducativo. Talvez o tempo tenha até sido curto, afinal foi apenas um dia, mas mesmo assim rolou uma sintonia bacana no final, com a rapaziada querendo apresentar sua arte através do hip hop e da capoeira. Foi "apoteótico", como costumamos falar no Rio.
Esperamos e torcemos para que a exibição do filme "Favela Rising" e os depoimentos de Anderson Sá e Norton Guimarães tenham sido um diferencial para os jovens. Que aquele grupo alí presente possa ter sido apenas o primeiro a ter contato com o AfroReggae e que o desejo que manifestaram de conhecer o Centro Cultural Wally Salomão, em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, possa ser viabilizado, numa ação que seria ímpar no que diz respeito às iniciativas junto ao sistema socioeducativo no Brasil. Bacana ver que a gestão local tem esse olhar diferenciado, que acredita na mudança e na construção ou reconstrução da cidadania dos jovens alí acautelados pelo Estado.
O AfroReggae vem ao longo dos anos buscando romper os esteriótipos da impossibilidade. É possível sim, transformar as estruturas e romper barreiras antes dadas como intransponíveis. É possível sim ver sucesso onde somente se via fracasso e principalmente é possível ver arte, onde somente se enxergava a violência.
BETHO PACHECO – Coordenador de Projetos Especiais
Veja as Fotos Abaixo:
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